A raça Guzerá é originária da Índia, onde é denominada Kankrej. Vive na região pré-desértica de Gujarat, que é seqüenciada ao norte pelo deserto de Thar e de Sind. Criado em terras baixas e secas, em geral de solos arenosos, sem árvores, com índices pluviométricos médios anuais entre 500 - 700 mm, concentrados entre julho e outubro, e a temperatura variando de 5º C a 50º C, o Guzerá desenvolveu uma rusticidade que o torna ímpar na
 
sua capacidade de adaptação a outras regiões do mundo. Talvez seja o bovino mais antigo que se possa ter notícia. Em sítios arqueológicos de Mohenjo-Daro e Harappa, na Índia e Paquistão, foram encontrados selos impressos com a imagem de seus ancestrais, em cerâmica e em terracota, que datam de cerca de 5000 anos. Sua imagem também foi encontrada em peças diversas nas regiões da antiga Assíria e Mesopotâmia.
 
Na Índia, a raça é utilizada para produção de leite e tração. São comuns vacas com lactações entre 2500 e 3500 litros produzidos para além de 300 dias. Os touros são famosos como animais de tração. Uma junta de boi arrasta entre 650 a 950 kg em estrada ruim ou até 1800 kg em asfalto. É a raça predominante e considerada como a que possibilita o melhoramento genético das demais raças.
 
No Brasil, o Guzerá veio com as primeiras importações de zebu, em torno de 1870, e revelou sua alta capacidade de adaptação e produção de carne e leite. Foi utilizado como solução para o transporte dos vagões nas íngremes montanhas fluminenses na colheita de café. Na região nordestina, sobreviveu, produtivamente, durante os cinco anos consecutivos de seca (1978-1983), provando sua alta rusticidade.
 
Predominou no país até a década de 1930, quando a maior parte dos rebanhos puros foi cruzada para a formação da raça Indubrasil. Por suas qualidades naturais como rusticidade, porte avantajado, capacidade de conversão alimentar, ganho de peso, produção leiteira, longevidade, fertilidade, docilidade, mas, sobretudo pela sua pureza racial capaz de gerar heterose em qualquer cruzamento, as matrizes da raça Guzerá foram usadas de
 

forma indiscriminada na formação de várias raças: Tabapuã, Brahman, Pitangueiras, Guzolanda, Guzonel, Simbrasil, etc. Esse uso intenso prejudicou o crescimento numérico da raça pura, que só agora apresenta nova expansão.
O Rebanho Guzerá tem crescido muito nos últimos anos e a tendência é esse crescimento continuar em ritmo acelerado tanto na pecuária de corte como na pecuária de

 
leite, uma vez que é crescente a demanda por estas produções no mundo. O Guzerá é opção segura de resultados, tanto na formação de rebanhos puros quanto de mestiços.
No cruzamento com raças européias, aumenta a rusticidade dessas, viabilizando as criações mesmo nas mais severas condições climáticas. As fêmeas apresentam ótima carcaça e produção leiteira, os machos podem ser vendidos para
 
corte.
Quando cruzada com outra raça zebuína, ocorre o
aumento da produção leiteira das crias, que terão maior habilidade materna e um desempenho médio de peso superior.

Estudos mostram que o crescimento pré-desmama do Guzerá puro é o maior entre as raças zebuínas e que
 
resultados similares são atribuídos em outros estágios de desenvolvimento do animal e em situações de confinamento.
A média de produção de leite do Guzerá controlado oficialmente no Brasil é de 2.347 kg, em lactações médias de 280 dias. Estes são dados obtidos a pasto,nas condições comerciais de criação. Sob manejo
 

especial, produções individuais de 30 a 40 kg de leite/dia e 9.000 kg por lactação foram aferidos.

Fonte bibliográfica:
Santos, Rinaldo dos, Guzerá – O Gado do Brasil – Ed.Agropecuária Tropical, 2005, Uberaba, MG.

  Dados de abates técnicos realizados pela Associação do Guzerá Centro-Sul
www.guzeramoet.com.br - Penna, Vânia Maldini